Por Edilson Souza 09 de março de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a suspensão das investigações da Operação Hades, que apura supostas fraudes em licitações e crimes de corrupção ativa e passiva na Prefeitura de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
A decisão foi publicada na sexta-feira (7).
A Operação Hades vinha sendo conduzida pelo Ministério Público do Pará desde 2024 e tinha como alvo principal o prefeito Daniel Santos (PSB).
Motivo da suspensão
Segundo Moraes, a medida foi tomada para evitar possível violação ao princípio do promotor natural, que estabelece que a investigação deve ser conduzida por um promotor que tenha atribuição legal para atuar no caso.
De acordo com o entendimento do ministro, o promotor responsável pela investigação não teria competência para conduzir o processo, o que poderia tornar os atos investigativos ilegais.
Argumento da defesa
A defesa do prefeito, representada pelo advogado Rafael Carneiro, afirmou que houve irregularidade na escolha do promotor responsável pela investigação.
Segundo ele:
“O chefe do Ministério Público estadual, indicado pelo governador, não pode escolher o promotor que vai acusar o adversário dele. O promotor que deve acusar é aquele da promotoria onde os fatos aconteceram.”
A defesa sustenta ainda que as novas investigações derivam de um procedimento considerado ilegal, motivo pelo qual pediu a suspensão do caso.
Suspeitas investigadas
As investigações da Operação Hades apontam suspeitas de irregularidades envolvendo contratos públicos.
Entre os fatos apurados está a compra de uma fazenda em Tomé-Açu por cerca de R$ 16 milhões, registrada em nome de uma empresa ligada ao prefeito.
Segundo os investigadores, empresas com contratos com a prefeitura teriam feito pagamentos relacionados ao negócio.
Posição do Ministério Público
O Ministério Público do Pará afirmou que a decisão do STF não analisou o mérito das acusações, apenas determinou a paralisação temporária das investigações.
O órgão também destacou que a portaria questionada foi editada em setembro de 2024, enquanto a investigação teria começado em agosto do mesmo ano, antes da criação da força-tarefa.
Para o MP, o pedido da defesa seria uma tentativa de tumultuar o processo e dificultar o avanço das investigações.
Contexto político
O prefeito Daniel Santos aparece atualmente entre os principais nomes nas pesquisas para o governo do Pará, tecnicamente empatado com a vice-governadora Hana Ghassan (MDB).