Via que nasceu para aproximar os dois estados enfrenta deterioração, aumento do fluxo de veículos e reclamações de quem depende diariamente do trecho

A estrada criada para encurtar distâncias entre o Pará e o Maranhão transformou-se em um caminho de preocupação. Buracos, asfalto deteriorado e trechos de difícil trafegabilidade passaram a fazer parte da rotina de quem utiliza a Rodovia Carne de Sol, oficialmente denominada Vicinal Ricardo Fernandes da Silva, no município paraense de Abel Figueiredo.
Fotos e vídeos encaminhados pelo morador Evanilson Mendes, conhecido como DJ Candirú, mostram as condições atuais da pista. As imagens revelam pontos bastante danificados e situações que obrigam os condutores a reduzir a velocidade ou realizar desvios para evitar prejuízos aos veículos.
Com aproximadamente 8,2 quilômetros, a rodovia liga a BR-222, em Abel Figueiredo, ao município de São Pedro da Água Branca, no Maranhão, passando pela comunidade Carne de Sol. O trecho também é utilizado por moradores de Bom Jesus do Tocantins e por condutores que circulam entre diferentes municípios dos dois estados.
A pavimentação foi executada por meio de convênio entre a Secretaria de Estado de Transportes do Pará e a Prefeitura de Abel Figueiredo. Na época, foram anunciados investimentos de aproximadamente R$ 12 milhões para transformar a antiga estrada de terra em uma importante rota de mobilidade e escoamento da produção regional. Agência Pará
Manutenção não acompanhou o desgaste
Segundo a denúncia encaminhada à reportagem, a última operação de tapa-buracos teria ocorrido em 2024. Desde então, os usuários afirmam que não foram realizados novos serviços de recuperação capazes de acompanhar o desgaste do pavimento.
Além do risco de acidentes, moradores relatam prejuízos com pneus, suspensão e outros componentes dos veículos. Motociclistas estão entre os mais vulneráveis, principalmente durante a noite ou em períodos de chuva, quando os buracos ficam menos visíveis.
Interdição aumenta movimento na região
A situação ganhou ainda mais importância após a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, localizada na BR-235. O DNIT confirmou que a restrição foi determinada depois que exames identificaram danos estruturais na ponte. DNIT
Com a mudança nas rotas, moradores afirmam que aumentou o número de veículos utilizando caminhos alternativos, incluindo a Rodovia Carne de Sol. O movimento mais intenso, especialmente de veículos pesados, estaria acelerando a deterioração da pista.
População cobra providências
Diante do problema, os moradores pedem uma ação conjunta do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Transportes, e da Prefeitura de Abel Figueiredo para recuperar o trecho.
“O pedido é para que a manutenção seja realizada antes que aconteça uma tragédia”, afirma Evanilson Mendes, responsável pelo registro das imagens.
Mais do que uma estrada municipal, a Rodovia Carne de Sol tornou-se uma ligação estratégica entre o Pará e o Maranhão. Para quem depende dela todos os dias, recuperar a pista significa garantir segurança, mobilidade e respeito à população.