Por Edilson Souza
01 de março de 2026
Quando se fala hoje em tensão entre Irã e Israel, muitos imaginam um conflito milenar. Mas a história antiga conta outra narrativa.
No século V antes de Cristo, o território que hoje corresponde ao Irã era o centro do poderoso Império Persa. E foi justamente nesse império que uma judia se tornou rainha.
O episódio está registrado no Livro de Ester, ambientado durante o reinado de Xerxes I (Assuero).
Ali, a Pérsia não foi inimiga dos judeus. Foi palco da preservação do povo hebreu.
📜 A Pérsia que protegeu
Após o exílio babilônico, judeus viviam espalhados pelo império persa. Não estavam em guerra com o governo imperial. Ao contrário:
- O rei Ciro autorizou o retorno a Jerusalém.
- A religião judaica foi tolerada.
- Judeus ocuparam posições administrativas.
Ester torna-se rainha nesse ambiente político relativamente estável.
Quando um decreto ameaça os judeus, é dentro da estrutura persa que ocorre a reversão.
Historicamente, portanto, não existia antagonismo estrutural entre Pérsia e Israel antigo.
🔥 Então de onde nasce a rivalidade atual?
O conflito moderno entre Irã e Israel é essencialmente contemporâneo.
Ele se intensifica após a Revolução Islâmica do Irã, quando o regime do aiatolá Ruhollah Khomeini redefine a identidade política iraniana.
O novo regime passa a:
- Rejeitar o Estado de Israel.
- Apoiar movimentos como Hezbollah e Hamas.
- Defender uma liderança islâmica revolucionária regional.
Israel, por sua vez, interpreta esse movimento como ameaça existencial.
🧭 O fator ideológico
Na Antiguidade:
- A Pérsia era império multicultural.
- Governava por administração e tolerância religiosa.
Na era moderna:
- O Irã se define como república islâmica teocrática.
- A política externa assume caráter ideológico-religioso.
A rivalidade não nasce de Ester.
Nasce da transformação política do século XX.
⚛️ O ponto mais sensível: poder nuclear
Israel teme que o Irã alcance capacidade nuclear militar.
O Irã afirma que seu programa é energético.
A tensão aumenta porque:
- Israel é pequeno territorialmente.
- O discurso de parte da liderança iraniana é confrontacional.
- A geopolítica do Oriente Médio é marcada por alianças militares.
🕊️ O contraste histórico
Há uma ironia histórica evidente: No passado, a Pérsia foi espaço de proteção ao povo judeu.
Hoje, o regime iraniano é um dos principais opositores do Estado de Israel.
Isso mostra que a rivalidade não é civilizacional milenar.
É construção política moderna.
📌 O que essa análise revela?
- Não há continuidade automática entre Império Persa e República Islâmica.
- Ester pertence a um período de cooperação imperial.
- O conflito atual é resultado de ideologia, geopolítica e disputas regionais.
- A religião influencia, mas o motor central é estratégico.
📖 Conclusão histórica
A história ensina que alianças e conflitos não são eternos. Eles são moldados por decisões políticas e transformações ideológicas. Entre a Pérsia de Ester e o Irã contemporâneo há mais de dois mil anos de mudanças profundas.
Compreender essa diferença é essencial para analisar o presente sem anacronismos.